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Shell Investirá R$ 39 Milhões Em Recuperação

A BG, subsidiária da Shell, investirá R$ 39 milhões no Laboratório de Recuperação Avançada de Petróleo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com o objetivo de apoiar pesquisas sobre injeção de água e gás, além de outros métodos de recuperação, para aplicação no pré-sal.

A injeção de gás é vista pela petroleira como uma alternativa para a estocagem dos altos volumes de CO2 produzidos no pré-sal, desafio também já enfrentado pela Petrobras, que teve que lidar com o gás carbônico de áreas como Libra, onde estimativas apontavam um teor de CO2 variando entre 45% e 90%.

Do novo investimento da Shell, R$ 24 milhões vão para as pesquisas, enquanto R$ 15 milhões serão usados para complementar os equipamentos do laboratório. Estão previstos estudos sobre injeção alternada de água e gás (WAG), incluindo interações fluido-fluido e rocha-fluido.

De acordo com Giancarlo Ciola, gerente regional de Colaborações para Pesquisa e Inovação da companhia, o gás rico em CO2 se mistura ao óleo em condições de reservatório, o que melhora sua mobilidade e pode aumentar o fator de recuperação.

“Com o novo investimento, o laboratório será capaz de conduzir experimentos de ponta e com altíssima precisão, através de análises completas das interações rocha-fluido e de caracterização de rocha antes, durante e após os experimentos de deslocamento de fluido em meio poroso”, detalha Ciola.

Hoje, o laboratório da UFRJ tem capacidade para realizar experimentos de deslocamento de fluido em meio poroso com amostras de rocha sob diferentes condições de pressão e temperatura. Entre os equipamentos disponíveis, há um scanner de raio-X especial, usado para visualizar a variação de saturação da água e do óleo ao longo das amostras de rocha.

Os novos aportes da Shell no projeto foram aprovados pela ANP esta semana, como parte da cláusula de investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação dos contratos de concessão. A petroleira dá continuidade aos investimentos de R$ 35 milhões feitos pela BG Brasil para a estruturação do laboratório em 2013, antes da fusão das companhias.

“Os reservatórios carbonáticos do pré-sal brasileiro representam uma parcela significativa do portfólio atual e futuro da produção de petróleo da Shell no Brasil. Esses reservatórios são extremamente complexos, o que torna a produção e recuperação do petróleo bastante desafiadora”, completa o gerente.

A compra da BG pela Shell em 2016 marcou um novo posicionamento da anglo-holandesa no pré-sal brasileiro, já que a companhia passou a ter participação em importantes ativos em águas profundas no país, como os campos de Lula (25%), Sapinhoá (30%) e Libra, operados pela Petrobras no pré-sal de Santos, além de Berbigão (25%) e Oeste de Atapu (25%).

A petroleira, inclusive, já anunciou que vai focar as atividades em todo o mundo em águas profundas, segmento que hoje já é responsável por 19% de sua produção global, e, inclusive, não descarta a possibilidade de aplicar os resultados dos estudos sobre recuperação no Brasil em outros reservatórios no exterior futuramente.

Desde 1998 até o final de 2016, a Shell (incluindo a BG) investiu cerca de R$ 290 milhões no país a partir de receitas geradas por campos de produção que pagam Participação Especial, conforme previsto pela Cláusula de P&D da ANP. Para 2017, a meta é de R$ 120 milhões.

ANP

Atualmente, taxa média de recuperação no Brasil está em 21%, percentual bem menor do que o de regiões com tradição no offshore, como Noruega e Reino Unido, onde as taxas ultrapassam 50%. A própria ANP já afirmou que o aumento do fator de recuperação, principalmente em áreas maduras, passará a ser um de seus focos de trabalho.

Cálculos da agência demonstraram que cada aumento de 1% no fator de recuperação médio no país demanda US$ 18 bilhões em investimentos e pode gerar até US$ 11 bilhões em royalties.

Fonte: Brasil Energia.

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