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Shell Investirá Em Ship-to-ship No Brasil

A Shell prevê ampliar a contratação de ship-to-ship (STS) nos próximos anos em função do aumento da produção de petróleo no Brasil. Hoje, a companhia contrata mais de 130 operações do tipo por ano, distribuídas em três localidades: no Uruguai, em mar aberto, e, no Brasil, na região de Santos (mar aberto), no estado de São Paulo, e no Porto do Açu, no Rio de Janeiro (águas abrigadas, com navio amarrado ao berço do terminal).

As informações constam de uma consulta feita pela petroleira à Antaq recentemente com o objetivo de esclarecer a classificação do tipo de navegação feita por um VLCC (Very Large Crude Carrier) utilizado para realizar uma ou mais operações intermediárias de STS antes do término de sua navegação de longo curso até o destino final no exterior.

O esquema planejado pela Shell visa otimizar a logística dos navios-tanque com sistema de posicionamento dinâmico (DPST, na sigla em inglês) que recebem o óleo dos FPSOs e cujo custo chega a ser três vezes maior que o de um petroleiro convencional – de acordo com a companhia, há apenas 80 deles no mundo.

A ideia seria utilizar o VLCC em duas etapas: na primeira, o navio receberia o óleo de um navio DPST e faria o transbordo para um navio Suezmax dentro de uma mesma área pré-estabelecida, sem navegar entre dois pontos em território nacional. No outro caso, o mesmo VLCC faria diretamente o traslado do óleo recebido do segundo DPST para o mercado internacional.

 

Operaração planejada pela Shell: VLCC atua em uma mesma área, não configurando navegação de cabotagem, na avaliação da companhia

No entendimento da Shell, o VLCC faria apenas uma navegação de longo curso, realizando o transporte de um ponto em águas brasileiras para um porto ou ponto localizado em território estrangeiro, não configurando, desse modo, navegação de cabotagem (que consiste no transporte de uma carga entre dois pontos distintos dentro do país).

“Ademais, o mero transbordo da carga para outro navio exportador não descaracteriza a navegação de Longo Curso do navio VLCC, bem como não pode se caracterizar como uma operação isolada de transporte e/ou armazenagem, não sendo identificados demais enquadramentos regulatórios”, argumenta o gerente de Relações Governamentais da petroleira, Tiago de Moraes Vicente.

A Shell concluiu que, caso sua interpretação esteja correta, não haveria restrição de tempo quanto à permanência do VLCC em águas brasileiras para a conclusão da operação de longo curso até o destino final.

STS em detalhes

O ship-to-ship consiste na transferência direta do óleo cru destinado à exportação entre navios tanque sem ocupar instalações de terminais, visando agilizar as operações de transbordo.

De acordo com a Shell, os recursos necessários para realizar urna operação de STS na área de Santos abrangem a utilização de seis defensas, nove mangotes, um barco de apoio, um barco de resposta de emergência, dois mooring masters e dois assistentes de mooring master – equipamentos que são fornecidos por empresas como a Fendercare, AET e a Oceanpact, que possuem autorização do Ibama e da Marinha do Brasil para tanto.

A utilização de navios DPST é uma exigência da Petrobras, operadora dos consórcios dos quais a Shell faz parte no pré-sal, por conta das condições meteoceânicas da Bacia de Santos e do tipo de amarração dos FPSOs que produzem na região (spread-mooring).

Desafio

A Shell possui atualmente 14 FPSOs em operação, com produção total de 300 mil bopd, sendo que 90% desse volume tem origem em sua participação nos campos do pré-sal na Bacia de Santos. A petroleira estima que sua produção aumentará significativamente com a entrada de oito a dez novos FPSOs em produção até 2025 na região.

Segundo a empresa, o gerenciamento das operações de escoamento do óleo dos FPSOs representa um desafio logístico, na medida em que é preciso evitar paradas de produção pela não chegada de um navio DPST dentro da janela de dois dias programados para a retirada de carga do FPSO, o que poderia gerar uma perda de R$ 7 milhões por dia em arrecadação de impostos (Royalties e Participação Especial) para o governo.

Os navios DPSTs utilizados pela Shell para retirada do óleo dos FPSOs são do tipo Suezmax e podem transportar 1 milhão de barris de petróleo. Dependendo dos contratos de compra e venda celebrados e da distância para o destino final, a operação de STS é feita para navios convencionais exportadores do mesmo porte (Suezmax) ou VLCC, capazes de transportar 2 milhões de barris.

A utilização de navios de maior porte permite, segundo a Shell, uma redução significativa do custo do frete até o destino final, bem como a otimização dos navios DPSTs, reduzindo, consequentemente, o risco de parada da produção e aumentando a competitividade do petróleo brasileiro no exterior.

“Logo, a utilização da capacidade de um navio VLCC depende do transbordo de 2 navios DPSTs”, afirma a companhia.

Fonte: Brasil Energia.

 

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