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Retomada Da Construção De Navios Panamax Para A Transpetro

Ricardo-207x3001Para driblar o momento ruim no setor de óleo e gás, o estaleiro Mauá, em Niterói (RJ), está focando em um novo projeto para atender outras demandas ligadas à área naval. Chamado de “Plataforma para o futuro”, uma das ideias da iniciativa é oferecer instalações para empresas que fazem retirada de resíduos de embarcações. O projeto também oferece soluções portuárias: “Existem alguns agentes marítimos em busca de operações relativas à apoio de plataforma. Aí vem o nosso terminal portuário, que não só é útil para receber carga, mas também para embarcar insumos para plataformas de petróleo“, explicou o diretor de importação, Heitor Ciuffo. Além disso, o presidente do estaleiro, Ricardo Vanderlei, revelou que a empresa está sendo sondada por empresas de óleo e gás com foco nas licitações de Sépia e Libra. Em relação aos navios Panamax da Transpetro, que hoje estão com as obras paralisadas no estaleiro Eisa Petro 1 – dentro do estaleiro Mauá – , a meta é retomar os trabalhos a partir do ano que vem, segundo Vanderlei.

Como a crise afetou as atividades do estaleiro e quais medidas estão sendo tomadas para superar este momento?

Vanderlei – O estaleiro, de certa maneira, compreende a dois tipos de operações. Uma delas é a construção de navios. Nós interrompemos as obras de quatro navios, em julho do ano passado, por causa de divergências com a Transpetro em relação aos contratos. Além disso, como a Petrobrás reduziu tudo que envolve a cadeia logística, a nossa segunda atividade, a de reparo, também sofreu muito. Todas as empresas, assim como nós, tentam diminuir o impacto da crise, postergando uma série de questões, como investimentos e reparos. Os clientes sofreram e nós, por consequência, ficamos como menos trabalhos relacionados a reparos.

Quais são os principais projetos de óleo e gás na atualidade?

Vanderlei – Pretendemos terminar os 4 navios para a Transpetro. Um já foi entregue e outros dois estão 90% finalizados. O quarto está com 50% e 60 % de avanço. A construção destas embarcações está parada, estamos em discussão de pleitos e claims. A ideia é retomar a construção no ano que vem. Estamos sendo sondados também por empresas do setor para trabalhos voltados às futuras licitações que a Petrobrás fará para os projetos de Sépia e Libra.

Heitor – Hoje, estamos mirando também em outras atividades. Há grande número de embarcações que vão ficar fora de operação. Esse setor precisa de infraestrutura. Tem também a desmobilização de estruturas marítimas que chegaram a um elevado nível de maturação. O estaleiro está atento a estas oportunidades.

Quais são as perspectivas para o setor de óleo e gás para os próximos anos?

Vanderlei – O estaleiro Mauá é muito tradicional. Estamos na Baía de Guanabara, então, a gente tem por obrigação servir o setor offshore. A gente continua focado no setor de óleo e gás, até porque o estaleiro tem estrutura para esse mercado. Como segunda atividade, temos uma área voltada para a reparação naval.

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Heitor Ciuffo, diretor de importação do estaleiro Mauá

Como é o funcionamento do novo serviço “Plataforma para o futuro”?

Heitor – A ideia é propor uma nova experiência com estaleiros. Essa plataforma visa uma experiência compartilhada com três grandes frentes de trabalho. A primeira é a de reparo naval.  A outra frente é a do terminal portuário. Existem alguns agentes marítimos em busca de operações relativas à apoio de plataforma. Aí vem o nosso terminal portuário, que não só é útil para receber carga, mas também para embarcar insumos para plataformas de petróleo, por exemplo.

E a terceira frente é a questão ambiental. Existem atividades que são demandas dos nossos clientes, como a retirada de resíduos de embarcações. Temos um procedimento dentro das bases da legislação ambiental e eu creio que nem todas as empresas que fazem retirada de resíduos tenham um local tão adequado como o nosso. Nós já estamos com algumas empresas, que fazem remoção de resíduos, se adaptando às nossas exigências. Nós oferecemos espaço e instalações para que estas companhias cumpram os procedimentos relacionados à retirada de resíduos.  

O que levou o estaleiro a atuar com este novo serviço?

Vanderlei – Estávamos há muitos anos focados numa atividade. Mas quando essa área deu uma parada, nós tivermos a necessidade de olhar as oportunidades. Essa situação acabou fazendo com que o estaleiro voltasse às suas origens, de oferecer um trabalho não só de reparto, mas trazer várias soluções para o armador. Nós vimos a possibilidade e nos preparamos para isso. Nos últimos três ou quatro meses, fizemos com que o estaleiro voltasse a fazer tudo o que fazia antes.

Heitor – A gente está numa fase de acertar os parceiros. Nós temos o foco no nosso cliente que é o armador. A gente tem que ver agora o leque de demandas que esse tipo de cliente tem, para oferecermos uma experiência que ele nunca teve num estaleiro. 

Fonte: PetroNotícias.