Mercado Nacional

Quais Os Obstáculos Às Exportações Brasileiras?

Estudo da CNI reflete a realidade das 20.322 empresas que exportaram em 2015, por porte de empresa e região do país.

O Brasil é uma das dez maiores economias globais e possui uma indústria diversificada. Apesar disso, seu percentual de exportações em relação ao PIB é baixo, principalmente se comparado a outros países. Além disso, o país contribui com apenas 1,2% do volume mundial de exportações de bens, valor que cai para 0,7% se apenas os manufaturados forem considerados. É o que aponta a pesquisa ‘Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras”, da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

De acordo com a CNI, esse cenário pode ser, em grande parte, explicado pela falta de competitividade das empresas exportadoras brasileiras, que precisam superar diversos desafios para vender seus produtos no mercado internacional. “Burocracia, excesso de leis e tarifas, demora na liberação de mercadorias e dificuldade de escoamento tornam o processo de exportação caro e lento e aumentam o preço das mercadorias, reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros no comércio internacional. Para aumentar a representatividade das exportações é necessário, portanto, investir em ações para alavancar o processo de exportação brasileiro”, aponta o estudo.

Elencando os diversos obstáculos enfrentados pelas empresas por número, porte e região, e não por valor de exportações. A abordagem evitou que dados de poucos e grandes exportadores impactassem significativamente os resultados. “A pesquisa aponta que, se o Brasil quiser realmente ser competitivo, é necessário reduzir a morosidade e a burocracia aduaneira e alfandegária, simplificar o fluxo documental e legal do processo de exportação e melhorar a infraestrutura logística para o escoamento”, diz o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Em última instância, esses entraves – e outros que compõem o chamado “Custo Brasil” – afetam a capacidade das empresas de oferecer preços competitivos. Na pesquisa os exportadores indicaram 62 entraves ao comércio numa escala de 1 a 5. Entraves na logística, burocracia e custos alfandegários foram os maiores desafios às exportações brasileiras, qualquer que seja o porte da empresa ou região geográfica. O custo do transporte, por exemplo, recebeu nota 3,61, as tarifas cobradas por portos e aeroportos, 3,44, e a baixa ação do governo em superar as barreiras à exportação ficou com 3,23.

“Se olharmos os 10 entraves mais críticos por região, veremos que, de forma geral, os exportadores consideram os mesmos problemas, o que muda é o nível de criticidade. No Nordeste, os exportadores são mais afetados pelos elevados juros para o financiamento da produção. No Centro-Oeste, a situação das rodovias é o maior problema”, afirma diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi.

Mais de 70% das empresas pesquisadas exportaram nos últimos cinco anos, o que significa que esses problemas são enfrentados por exportadores experientes. “É o melhor retrato que se pode ter dos problemas enfrentados pelas empresas exportadoras brasileiras. Com os dados, queremos fazer propostas e ajudar o governo a acertar no comércio exterior”, diz Abijaodi.

Na opinião do presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, é preciso ter estrutura para exportar. E lembra que a Coreia do Sul – país com pouca matéria-prima – exportou, em 2015, US$ 550 bi em manufaturados.

“Será que o parque fabril é tão maior do que do Brasil? Não. E o Brasil vai exportar em 2016 menos do que 2006. Vai ficar igual a 2015. Significa que nós paramos no tempo. Tem que investir em infraestrutura para reduz o custo da logística e acabar com o custo adicional gerado pela burocracia, só assim seremos um exportador de peso”, diz o presidente da AEB.

O estudo aponta ainda que cerca de 30% das empresas exportadoras pretendem começar ou intensificar sua atuação nos Estados Unidos e na Argentina. “Os Estados Unidos são o principal mercado-alvo para exportadores de todas as regiões”, aponta o relatório. Que mostra que quando se olha o dado regionalmente, 34,3% dos empresários do Norte gostariam de exportador para os Estados Unidos. No Centro-Oeste brasileiro, apenas para 16,7% querem ir para os EUA. Para a Argentina, querem ir 12,5% dos exportadores do Sudeste e 12,4% do Sul do Brasil.

Fonte: Guia Marítimo.