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Odebrecht Define Novas Regras De Gestão

Odebrecht

Em carta dirigida ontem aos seus 75 mil funcionários remanescentes, a Odebrecht S.A. acenou que virou a página e que o futuro será pautado por um novo modelo de governança – em implantação há aproximadamente um ano e meio. O comunicado é assinado por Emílio Odebrecht, presidente do conselho de administração, e define uma nova orientação para atuação de acionistas e conselheiros.

O comunicado antecede o tradicional encontro anual entre os líderes do grupo Odebrecht, que se realiza em Salvador, sede oficial da companhia, na próxima sexta-feira. Na ocasião, Emílio fará um discurso, reiterando a nova orientação para os tempos pós Lava-Jato. A seguir, serão apresentados um balanço do ano que se finda e o planejamento de atuação dos próximos três anos.

Uma das maiores empresas do país, a Odebrecht reduziu de tamanho e de potência após o envolvimento no escândalo de corrupção deflagrado pela operação Lava-Jato, com investigações de contratos de obras da Petrobras. Contudo, se prepara para a retomada: “Que 2018 seja o caminho para consolidar o nosso grupo e para voltarmos ao crescimento”, disse Emílio ao fim do comunicado.

Na mensagem, o empresário busca transmitir a orientação do acionista aos líderes de negócios, visando “a sobrevivência, crescimento e perpetuidade” do grupo. A Odebrecht sofreu grande impacto em seus negócios, sendo obrigada a se desfazer de ativos em várias áreas e renegociar dívidas com grande parte dos credores.

Está entre as novas diretrizes da companhia a definição de que o cargo de diretor presidente da holding não será mais exercido por um membro da família Odebrecht. A partir de agora, o diretor presidente será escolhido pelo presidente do conselho de administração dentre os diretores da Odebrecht S.A. O presidente do conselho será um representante indicado pela holding da família, a Kieppe Participações, que abriga os cinco ramos da família.

“Essa decisão representa a vontade do acionista controlador de promover a separação entre a família Odebrecht e a liderança executiva da Odebrecht S.A., holding do grupo, e deixa claro que a assembleia geral [de acionistas] é o foro onde o acionista controlador pode atuar, interagir e deliberar”, disse Emílio na mensagem.

O empresário destaca ainda que o acionista controlador quer que a Odebrecht atue para que seus negócios venham a atrair sócios e suas ações sejam negociadas em bolsa. Como já ocorre com a petroquímica Braskem. Um dos planos é que a construtora, em até três anos, abra seu capital.

Para demonstrar mudanças, Emílio – que fica à frente do conselho até o fim de 2018, antes de começar a cumprir a pena definida com o Ministério Público – ressaltou que a escolha dos novos conselheiros terá diversidade de representantes. “Deverá prezar pela diversidade de conhecimentos, de experiências e de aspectos culturais, nacionalidade, faixa etária e gênero”. E todo conselheiro terá atuação pautada na independência, transparência e objetividade, diz a mensagem.

O Valor apurou que no novo regime o conselho da holding contará com novos comitês. Além do de Conformidade (compliance), haverá um de Finanças e Investimentos e outro de Cultura, Pessoas e Sustentabilidade. A composição do conselho terá sua configuração mudada ao longo de 2018 e vai incorporar, ao menos, dois conselheiros independentes.

A Odebrecht também fixou limite de idade para os conselheiros e presidente da diretoria: 75 e 65 anos, respectivamente.

A carta foi divulgada a uma semana de o ex-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, sair da prisão. No dia 19, ele deixa o Complexo Médico Penal, em Curitiba (PR), após cumprir 2,5 anos em regime fechado de uma pena total de dez anos pelo envolvimento do grupo na Lava-Jato.

A partir da próxima terça-feira, Marcelo passa a cumprir prisão domiciliar em tempo integral, com tornozeleira eletrônica, por mais 2,6 anos. Depois, o filho de Emílio que tocava o negócio no dia a dia cumprirá outros 2,6 anos no regime semiaberto, quando poderá sair durante o dia mas deverá ficar em casa à noite, fins de semana e feriados. Somente em 2022 Marcelo poderá passar para o regime aberto.

Fonte: Valor Econômico.

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