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Navios parados tentam resistir à pior crise do setor em décadas

A desaceleração industrial da China tem sido o principal fator dos problemas enfrentados pelas empresas de navegação. A retração econômica no país asiático – segundo maior importador de commodities do mundo – corroeu a demanda por materiais de construção como minério de ferro, bauxita e cimento. Os efeitos financeiros se disseminaram, passando das mineradoras para as transportadoras que levam essas cargas mundo a fora.
A medida que as empresas transportadoras dessas commodities transportadas a granel tentam resistir à pior crise do setor em décadas, navios ociosos se acumulam nas linhas costeiras do mundo todo.

Fretes historicamente baixos cobrados por empresas que transportam matérias-primas, embarcações paradas, mostrando como a queda na demanda chinesa por commodities onera a indústria global de navegação e firmas apresentando pedido de recuperação judicial ou fechando completamente, mostram o cenário alarmante vivido pelo setor.

Enquanto isso, as companhias que continuam operando são forçadas a tomar decisões difíceis, como é o caso de alguns armadores que estão sucateando navios anos antes do previsto, com objetivo de reduzir o excesso de capacidade. Outros navios são ancorados por semanas, aguardando serem contratados. E cada vez mais navios ficam parados por períodos mais longos, a um custo mensal de US$ 15 mil ou mais.

Operadores estimam que 690 navios de carga a granel, ou cerca de 7% da frota global, estão parados agora. O dobro desses navios provavelmente precisaria ser tirado de circulação para equilibrar a capacidade e a demanda.
Empresas de navios graneleiros com capital aberto, por exemplo, têm sido fortemente afetadas, com a Scorpio Bulkers Inc. e a Star Bulk Carriers Corp. perdendo 90% do seu valor de mercado ao longo dos últimos 12 meses.

O resultado, são armadores com poucos recursos em caixa, enfrentando restrições de crédito e com dificuldade de encontrar financiamento privado. Algumas empresas de navios graneleiros estão tentando reduzir capacidade, mas desativar um navio também representa custos. O chamado “cold layup” – jargão do setor para quando as empresas tiram navios de circulação por seis meses a um ano – desativa os sistemas do navio e mantêm apenas três tripulantes a bordo para fazer serviços básicos de manutenção, mas preparar um navio para voltar à ativa pode custar até US$ 1 milhão.

Os lugares mais populares para manter navios ociosos são nas proximidades dos portos de Cigapura, Indonésia e China. As taxas diárias de frete de carga geral cobradas pelos cargueiros do tipo Capsize, estão abaixo de US$ 3 mil. Os proprietários de navios novos precisam que o frete seja de pelos menos US$ 6 mil por dia – ou até US$ 12 mil por dia no caso de navios com custos de financiamento – para atingir o ponto de equilíbrio.

Operadores afirmam que os armadores na América Latina enviaram minério de ferro do Brasil para a China em 2015 conseguindo cobrir apenas 40% dos custos operacionais.

 

FONTE: GuiaMarítimo.