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“Nosso Primeiro Óleo Será Produzido Aqui” – Diz O Diretor Geral Da Karoon Petróleo E Gás

O diretor Geral da Karoon Petróleo e Gás para a America do Sul, Tim Hosking, parece ter encontrado, do outro lado do mundo, um estilo de vida perfeitamente compatível com o de um australiano – ao menos em se tratando do estereótipo que permeia o imaginário popular. Há sete anos no Brasil, o executivo alterna seu tempo entre os escritórios da companhia no Rio de Janeiro e Florianópolis, dois cenários paradisíacos onde poderia praticar surfe em suas horas vagas.

Ao receber a Brasil Energia Petróleo em sua sala no Offices Shopping Leblon, no coração da Zona Sul do Rio de Janeiro, Hosking não deixou dúvidas sobre o lugar que o país ocupa nos planos da petroleira: “Estamos muito otimistas com o Brasil, que é fundamental para o nosso crescimento. Acredito que nosso primeiro óleo será produzido aqui”, destacou.

Em 2017, a Karoon completará dez anos de operações no Brasil, período em que investiu mais de US$ 500 milhões em atividades locais. Nesse tempo, a companhia perfurou seis poços nos cinco blocos que opera na Bacia de Santos, a aproximadamente 260 km da costa de Santa Catarina e em lâmina d’água de até 400m, descobrindo os prospectos de Kangaroo e Echidna.

A companhia se prepara, agora, para investir outros US$ 345 milhões nos próximos três anos no país, começando pela terceira fase de exploração e avaliação de seus blocos, com início de perfuração previsto para 2018. O plano é perfurar dois poços de produção horizontais estendidos e um de injeção de gás.

Em julho, o conselho da Karoon aprovou o conceito de desenvolvimento para a descoberta de óleo leve de Echidna. Resultado de 18 meses de avaliação, o projeto segue para a fase de desenvolvimento, Engenharia e Projeto Básico (FEED, na sigla em inglês). A etapa, conduzida em parceria com o Wood Group, inclui a modelagem de reservatórios, análise de cenários de produção, estudos de viabilidade de construção de poços e otimização de desenvolvimento.

O conceito compreende a utilização de um FPSO e prevê uma produção que, no pico, deverá atingir em torno de 28 mil bopd. A ideia, conta Hosking, é buscar uma plataforma existente que esteja em fim de contrato e adaptá-la às condições locais.

Durante o FEED, que deve ter uma duração de nove meses, a Karoon fará uma licitação para selecionar fornecedores com a intenção de contratar um pacote de trabalho para EPCI (Engenharia, Compras, Construção e Instalação) com foco no desenvolvimento de Echidna, incluindo a configuração subsea do projeto.

Os documentos que serão apresentados ao mercado nos próximos meses já estão sendo finalizados. A decisão final de investimento está programada para o segundo trimestre de 2018.

Até lá, a petroleira terá que contratar a sonda responsável pelas atividades de perfuração, além de embarcações de apoio e uma base para dar suporte logístico às operações. A última campanha de perfuração da empresa no país foi conduzida pela Olinda Star, da Queiroz Galvão E&P (QGEP), há cerca de dois anos. Na ocasião, a base de apoio utilizada foi a da Nitshore, em Niterói (RJ), mas a tendência é que a companhia opte por um local mais ao Sul desta vez, em Santos (SP) ou Itajaí (SC).

Projetos da Karoon no Brasil ( Divulgação )

O desenvolvimento das descobertas na Bacia de Santos pode vir a contar com o apoio da alemã DEA (Deutsche Erdoel AG), que celebrou, em julho, um acordo com a Karoon que lhe dá uma opção exclusiva para a aquisição de participação não operacional de até 50% nos cinco blocos de exploração.

O acordo prevê ainda a possibilidade de apresentar propostas em conjunto para adquirir ativos de óleo e gás no offshore brasileiro. Apesar da tentativa frustrada com os campos de Baúna e Tartaruga – cuja venda pela Petrobras à australiana foi barrada pela Justiça –, a Karoon segue de olho nos desinvestimentos da estatal brasileira, com foco em campos que começaram a produzir recentemente ou em fase de vida útil intermediária.

“Não queremos lidar com questões de descomissionamento neste momento”, justifica Hosking

A petroleira está inscrita na 14ª Rodada da ANP, que acontecerá no final deste mês, mas não participará das duas rodadas do pré-sal em outubro, já que os custos associados aos projetos são bem mais elevados.

Histórico

A Karoon adquiriu suas cinco licenças, contemplando os blocos S-M-1101, S-M-1102, S-M-1037, S-M-1065 e S-M-1066, na 9ª rodada de licitações da ANP, em 2007.

Em setembro do ano passado, a petroleira comprou, por US$ 20,5 milhões, a participação de 35% da Pacific Rubiales nos cinco ativos, depois de a parceira canadense anunciar um plano de reestruturação financeira.

A primeira fase da campanha exploratória da Karoon em Santos começou em dezembro de 2012, com o poço Kangaroo-1, o primeiro de três poços exploratórios que resultaram em duas descobertas de óleo (Kangaroo-1 e Bilby-1).

A segunda fase foi iniciada novembro de 2014 e finalizada em maio de 2015. Foram perfurados mais três poços – dois compromissos firmes do Plano de Avaliação de Descobertas (PAD), aprovado pela ANP, e mais um poço opcional.

O poço de avaliação, Kanagroo-2 confirmou uma coluna de óleo bruta de 268 metros (167 metros líquidos). O poço exploratório Echidna-1 confirmou a descoberta de coluna de óleo bruta de 135 metros (100 metros líquidos), com qualidade de 39 graus API.

A subsidiária brasileira faz parte da Karoon GasAustraliaLtd., empresa com ações na bolsa australiana, que possui projetos na Austrália, Brasil e Peru.

Fonte: Brasil Energia.

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