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Irresponsabilidade Na Gestão Fará Participantes Do Fundo Petros Pagar Taxa Por Mais 18 Anos

A soma da má gestão, com as fraudes, com a irresponsabilidade de quem administra os fundos de pensão e o abuso de políticos corruptos sem qualquer escrúpulo, é a fórmula certa, correta, para o sofrimento de quem investiu durante toda sua carreira para ter uma aposentadoria tranquila ver esse sonho ameaçado. Veja o resultado do caso da Petros: a Petrobrás e os participantes do maior plano de pensão dos empregados da estatal terão de injetar R$ 27,7 bilhões para cobrir o deficit acumulado entre 2013 e 2015. De acordo com plano de equacionamento aprovado nesta terça (12) pelo conselho deliberativo da Petros, a Petrobras entrará com R$ 12,8 bilhões, e a BR Distribuidora, com R$ 900 milhões. Já os cerca de 77 mil participantes —entre empregados da ativa e aposentados— dividirão o restante, por meio da cobrança de parcelas mensais sobre seus vencimentos pelos próximos 18 anos. Acredite. É isso mesmo. 18 anos.

A informação foi divulgada através de uma nota da própria Petrobrás. Na nota, a Petrobrás informou que terá de desembolsar em 2017 R$ 1,4 bilhão. Já a BR pagará no primeiro ano R$ 89 milhões. De acordo com a estatal, o deficit já está contemplado em seu balanço e não afetará o resultado. Entre 2013 e 2015, teve um deficit acumulado de R$ 25,6 bilhões. Segundo a fundação, 40% das perdas foram provocadas por fatores estruturais, como ajustes feitos no perfil dos assistidos e reajustes promovidos pela estatal nos salários do pessoal da ativa.

Durante os governos petistas, de Lula e Dilma, a gestão da Petros foi acusada por participantes de ceder a pressões por investimentos com interesse político. Há onze  investigações internas sobre investimentos com suspeitas de desvio de conduta ou má-fé em sua aprovação. O equacionamento será feito no Plano Petros do Sistema Petrobras (PPSP), o mais antigo da fundação, criado em 1970 ainda sob o modelo de benefício definido. O plano, que precisa ainda ser aprovado pela Sest (Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais), prevê a contribuição de forma progressiva de acordo com a faixa salarial.

Para os empregados da ativa, a alíquota adicional será de 3,20% na faixa até R$ 2.756,66; 6,63% na faixa até R$ 5,531,31; e 24,34% nos valores acima. Para inativos, as alíquotas são 4,53%, 9,39% e 34,44%. Assim um empregado que ganha R$ 10 mil, por exemplo, pagará R$ 1.350 (ou 13,5%) por mês. Já o aposentado com o mesmo vencimento pagará R$ 1.924 (ou 19,2%). Atualmente o  participante já paga como contribuição regular alíquota que varia de 3% a 14,5%. Entre os participantes, 13 mil estão na ativa e 64 mil já são aposentados.

Fonte: PetroNotícias.