Meio Ambiente

Desoberta: Mancha De Lixo Do Pacífico Tem Portas De Saída

Um dos autores do novo estudo, Christophe Maes, oceanógrafo da France’s University of Western Brittany (UBO), e da French Research Institute for Development (IRD), acaba de publicar uma descoberta que pode piorar ainda mais uma solução para a grande mancha do Pacífico. Conduzido pelas correntes marinhas, em interação com o movimento de rotação da Terra, qualquer tipo de lixo plástico acaba se juntando a outros, num ponto remoto do Pacífico onde, de acordo com cientistas, a massa de lixo “tem o tamanho de 680 mil quilômetros quadrados, o que equivale aos territórios de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo somados”.

Oceanos: ainda tratados como lata de lixo da humanidade

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Até agora, pensava-se que não havia portas de saída para esta enorme quantidade de plástico, que ficaria eternamente presa num rodamoinho provocado pelas correntes, ventos, e outros fatores. A mancha do Pacífico, por seu gigantismo, é uma prova cabal que os oceanos continuam a ser tratados como “lata de lixo da humanidade”. Seja até por gravidade, “tudo que é produzido pela humanidade acaba parando no mar”.

Oito toneladas de plástico por minuto são jogados nos oceanos

Recente pesquisa da Ellen MacArthur Foundation estima que haja mais de 150 milhões de toneladas de material plástico nos oceanos. A Pesquisa indica que, se as condições forem mantidas, haverá mais plástico que peixes em 2050.

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Hecatombe produzida pela nossa geração

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O plástico, e materiais assemelhados, se tornam partículas que vão parar no estômago de animais e aves marinhas

 

Pela crença que a mancha de lixo seria estática, cientistas já estudavam maneiras de diminuir seu tamanho e impacto. Mas a descoberta das portas de saída pioram o quadro: tornam bem mais difícil lidar com esta hecatombe produzida pela nossa geração.

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Peixes e aves acabam ‘se alimentando’ com pedaços de plástico.

Correntes ‘de saída’ levam lixo ao litoral

O novo estudo mostra que há correntes “de porta de saída”. Usando modelos de computador os cientistas rastreadas as trajetórias de vários milhões de partículas virtuais. Os resultados revelaram a existência de correntes Outward Bound, com várias centenas de quilômetros de largura, que fluem para o leste, para longe do giro, em direção às costas da América do Norte e América do Sul.

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Descoberta prevê piora para saúde da vida marinha

Para Erik van Sebille, um oceanógrafo  do Imperial College London

” As rotas de saída são uma boa notícia para a limpeza do lixo, mas não para projectos destinados a melhorar a saúde da vida marinha.Se você está focando a limpeza nas costas, então isso vai facilitar as coisas porque um monte de lixo acabará nas praias, o que lhe permite concentrar seus esforços ali. A má notícia é que o plástico faz muito mais mal perto das costas, do que em mar aberto, onde há muito menos vida marinha. Litorais são os locais onde estão os ecossistemas mais importantes, como os recifes de coral, manguezais, estuários, etc”

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Ilha de plástico em Cabo Verde

Visualização da NASA  sobre as correntes marinhas e respectivas manchas de lixo dos oceanos

FONTE: Mar Sem Fim.