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Cabotagem: O Panorama Operacional Para 2016

A cabotagem, para esta publicação, o transporte de cargas em contêineres entre portos brasileiros, terá em 2016, uma reprise aproximada da capacidade operacional de 2015.

O modal que recebeu investimentos importantes de aumento de capacidade, em especial da Aliança, teve racionalização de cobertura pela Log-In, com o fechamento do chamado serviço Costa Norte, passando a atender o porto de Vila do Conde no Pará através do serviço Amazonas e inserindo serviços feeder entre Santos, Rio e Vitória. O feeder (do inglês, serviço “alimentador”), proporciona receitas importantes ao armador de cabotagem, para receber e entregar cargas de exportação e importação para navios da rota internacional, ou longo curso, que não chegam a esses portos secundários. Isso se dá muitas vezes devido ao tamanho do navio ou fraca demanda de exportação e importação no porto, por isso considerado secundário.

Há claramente uma oportunidade de redução de custo logístico a ser explorada pela indústria nesses tempos de crise econômica. Enquanto no transporte rodoviário a conta da sustentabilidade econômica está difícil de fechar, na cabotagem é possível obter reduções de custos, riscos de roubos e avarias, desde que o embarcador esteja disposto a sair da sua zona de conforto e fazer a adaptação ao modal.

Essa adaptação é simples para empresas acostumadas a exportar em contêiner, pois o processo operacional é o mesmo. É menos burocrático que exportar via marítima, porém mais trabalhoso, num primeiro momento, que embarcar via rodoviária.

Na cobertura portuária veem-se escalas duplas em Santos para atender à cabotagem e à conexão feeder, a descontinuidade de atendimento ao porto de São Francisco do Sul substituído por Navegantes em Santa Catarina.

Observa-se ainda, pequeno progresso na cobertura para cargas fracionadas por cabotagem. A Log-In, que é precursora nesse tipo de operação, mantém cobertura através de parceiro nos portos do Sul para o Nordeste. Já ATM Transporte Multimodal, afiliada da Aliança, oferece esse serviço de Itapoá e Santos para Manaus.

Log In Logistica navio

Cabotagem é um negócio onde o próprio armador tem seus desafios para manter-se competitivo. A Aliança ganhou corpo com os investimentos em navios de 3.800 a 4.800 teus. Hoje tem uma participação de mercado aproximada de 48% e, é quem mais consegue se beneficiar com custos unitários menores e melhor cobertura, seja para a cabotagem ou na geração de receitas com feeder especialmente do grupo Hamburg Sud.

A Log-In, empresa de capital aberto, tem reportado claro desafio com a construção de navios no Brasil e alto endividamento. Em meados de janeiro, divulgou ter recebido proposta de compra do controle pela Manabi Holding do setor de mineração. Não houve novas informações a esse respeito.

A Mercosul Line, se mantém estável reportando resultados positivos na sua operação de serviço único em parceria com a Log-In, onde são empregados dois navios próprios e dois do parceiro.

Pode-se dizer que é um setor consolidado, porém sensível e importantíssimo. Seja para uma matriz de transporte mais sustentável ou como para o apoio ao exportador e importador de portos agora considerados secundários devido ao crescimento do tamanho dos navios nas rotas internacionais.

Você pode acessar o e-book gratuito sobre as alterações de cobertura em 2016 neste link.


Por Clara Rejane Scholles, da Practical One, uma empresa prestadora de serviços de tecnologia da informação, para o setor de logística de cargas, com foco no transporte marítimo nacional e internacional de cargas em contêineres.

Fonte: Practical One.