A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciou nesta quinta-feira que parte dos armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) será leiloada nos próximos meses. Segundo ela, a rede de armazenamento de grãos administrada pela estatal é grande, antiga e, em muitos casos, subutilizada.

— Precisamos que a Conab dê atenção às coisas para as quais ela é imprescindível, como trabalhar mais perto do produtor, fazendo previsão de safra, estatísticas e prestando as informações oficiais sobre o setor, que são ferramentas essenciais para cuidarmos das políticas públicas — disse a ministra, durante solenidade de posse do novo presidente da companhia, Newton Araújo Júnior. — Não podemos ter empresas públicas com um patrimônio enorme, porque custa mais caro mantê-lo do que a sua utilidade – acrescentou.

Funcionário de carreira da empresa há 40 anos, Newton Araújo informou que a Conab tem, atualmente, 178 armazéns, dos quais 67 estão subutilizados. Ele explicou que, com base em um estudo preliminar, parte da rede pode ser leiloada ou mesmo cedida à iniciativa privada por meio de permutas.

Catálogo da Indústria Marítima

— É preciso tirar essa gordura da companhia para fazê-la se fortalecer — afirmou.

De acordo com o Ministério da Agricultura, não há previsão fechada sobre quanto renderia a venda dos armazéns para os cofres públicos. Mas Tereza Cristina adiantou que não há mais sentido manter a rede de armazéns do tamanho que está, ainda mais em um momento em que os “traders” do setor agropecuário são mais ágeis e possuem esquemas mais modernos de armazenagem e escoamento da produção.

Em discurso durante a posse, a ministra disse aos servidores da Conab que não haverá mudanças radicais na companhia, mas uma modernização de sua estrutura e de suas práticas administrativas. Segundo ela, a proximidade entre o Ministério da Agricultura e a Conab precisa ser cada vez maior, em prol da agropecuária brasileira.

Fonte: O Globo