O Porto Itapoá, terminal de uso privado localizado no município de mesmo nome, em Santa Catarina, concluiu financiamento de R$ 450 milhões com prazo de até onze anos para expansão da capacidade. A operação é composta por duas modalidades de financiamento, ambas assinadas em janeiro mas cuja conclusão dependia do cumprimento de condições. Por isso o dinheiro caiu na conta do porto somente na quarta-feira.

A primeira é um empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor de R$ 150 milhões. Os R$ 300 milhões restantes são da 3ª emissão privada de debêntures, coordenada pelos bancos ABC e ING, com prazo de repagamento de onze e oito anos, respectivamente.

Os R$ 450 milhões integram os recursos para bancar uma ambiciosa expansão em curso que capacitará a instalação para movimentar 2 milhões de Teus (contêiner de 20 pés) por ano. A primeira fase de obras ampliou a oferta de 500 mil Teus para 1,2 milhão de Teus (capacidade desde agosto de 2018) e já consumiu R$ 1,5 bilhão.

Outro R$ 1,5 bilhão é necessário para mais obras e compra de equipamentos. E será bancado pelo caixa da empresa (30%) e via novos financiamentos (70%) que devem ser contratados em 2021 ou 2022 - a depender da demanda do mercado portuário.

Hoje o terminal conta com seis guindastes de cais (portêineres) e 17 de pátio. Ao fim do projeto, serão 13 e 40, respectivamente.

Os sócios do porto catarinense são a Portoinvest Participações (grupo Battistella e Logz Logística) e a Aliança Navegação e Logística, do armador Maersk.

Itapoá está inserido em um mercado altamente concorrido. Disputa carga com mais cinco portos de contêineres no Sul: Paranaguá (PR), Itajaí, Navegantes, São Francisco do Sul e Imbituba (SC).

Em 2018, movimentou 680 mil Teus e projeta crescer 18% neste ano, para 800 mil Teus. Hoje opera com entre 60% e 65% da capacidade. "Ultrapassando 80%, há necessidade de algum investimento para incrementar a capacidade para não ter a eficiência operacional afetada", diz o presidente de Itapoá, Cássio Schreiner.

O porto atende hoje os maiores navios de contêineres que vêm regularmente ao Brasil, mas tem capacidade para operar embarcações maiores. Contudo, para Itapoá receber a próxima geração de porta-contêineres, de 366 metros, é necessário suavizar o "cotovelo" do canal de acesso que limita manobras de grandes navios. O canal de navegação é público.

Há expectativa de que até o fim do ano seja feita a licitação pública para contratação da dragagem e da obra para "desbastar o cotovelo". Mas Schreiner pondera que esses navios só virão regularmente para o Brasil quando o porto de Santos (SP) tiver condições de recebê-los também.

Fonte: Valor Econômico

Imagem: Porto Itapoá