Os estivadores de Santos entram em greve por tempo indeterminado no dia 1º de março. Eles protestam contra o fim da convocação dos trabalhadores avulsos para as operações nos terminais portuários e a utilização de apenas vinculados. Caso a situação não seja resolvida e os cinco mil avulsos não sejam mais requisitados, os nove sindicatos de trabalhadores do Porto podem deflagrar uma greve geral e paralisar todos os serviços de uma só vez.

Os trabalhadores portuários participaram ontem de uma audiência pública na Câmara Municipal de Santos. A Mesa contou coma representantes dos trabalhadores e vereadores. Um dos temas abordados foi uma participação mais atuante do prefeito Paulo Alexandre Barbosa na condução desse processo, já que os sindicalistas destacaram o perigo do agravamento da crise social na Cidade, com o fim de milhares de empregos.

De acordo com presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos, Rodnei Oliveira da Silva, o Nei da Estiva, a categoria tem cinco mil trabalhadores. Ele garantiu que a decisão da Justiça vai exterminar uma categoria de trabalhadores. "São pais de famílias deixarão de levar o seu sustento para casa, aumentando assim as filas de desempregados em nossa região, além de criar um impacto comercial e um caos social para as cidades da Baixada Santista", disse.

Nei destacou a luta de antepassados pelos estivadores e garantiu que vão lutar para manter o mercado de trabalho. "Os terminais querem utilizar 100% dos trabalhadores vinculados para poder ir buscar trabalhadores fora daqui, com salários menores, e poder terceirizar ou até quarteirizar o trabalho. Isso não vamos admitir", disse.

O sindicalista acredita que o julgamento do mérito da ação será favorável aos trabalhadores e tudo voltará como sempre foi com 50% dos trabalhadores avulsos e 50% vinculados. O trabalho avulso nos portos proporciona um ganho maior para os portuários, mas eles não têm benefícios. "Mais vale o choro da derrota do que a vergonha de não ter lutado", afirmou, lembrando palavras de seu pai.

Sopesp

As empresas componentes da Câmara de Contêineres do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), lamentam e estranham a decisão do Sindicato dos Estivadores de Santos pela decretação de greve no Porto de Santos, em ato que contrapõe uma determinação judicial do Tribunal Superior do Trabalho, em Acórdão de 2015 e transitada em julgado.

Prefeitura

Os representantes dos trabalhadores tinham uma reunião marcada com o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, na tarde de ontem, mas nenhum detalhe foi divulgado pelos trabalhadores nem pela assessoria do prefeito.

Fonte: Diário do Litoral

Imagem: Diário do Litoral