A receita com as exportações de carne bovina do Brasil deve superar os US$ 7 bilhões neste ano, amparada pela demanda chinesa firme e pela valorização do dólar frente o real nos últimos meses.

A projeção foi feita pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antonio Camardelli, ontem durante evento promovido pela Trouw Nutrition, em Atibaia, São Paulo.

No ano passado, o Brasil exportou 1,5 milhão de toneladas de carne bovina, com receita de US$ 6,28 bilhões. Camardelli, entretanto, não indicou se a receita seria maior que o recorde de US$ 7,2 bilhões alcançado em 2014, quando o País embarcou 1,5 milhão de toneladas. “De janeiro a setembro, o crescimento foi de 12,8% em volume, para 1,1 milhão de toneladas, e de 13,6% em receita, para US$ 4,9 bilhões no comparativo com o ano passado”, disse.

A China teve um papel relevante nesse avanço. Os embarques ao país asiático cresceram 56,2% em volume no acumulado do ano e 68,5% em receita. Uma missão para habilitar novas plantas para exportação ao mercado chinês está prevista para o final de outubro. “Com 16 plantas, exportamos mais de 100 mil toneladas e chegamos a US$ 1 bilhão. Podemos aumentar no mínimo em 50% esse volume para o próximo ano.”

Para o analista do Rabobank, Adolfo Fontes, os embarques devem superar as expectativas do banco. “Nossa previsão para este ano era de 10% de alta em volumes, mas esperamos que esse avanço possa ser até maior, já que na primeira semana de outubro a média diária já é 30% maior. ” Segundo ele, a guerra comercial entre China e EUA levou a um redirecionamento da cesta de compras chinesa ao Brasil. A valorização da moeda norte-americana também favoreceu os negócios. “O câmbio influenciou as exportações positivamente em setembro, embora em outubro haja um ajuste”, acrescenta.

Camardelli afirmou que uma missão do Canadá chega ao Brasil no próximo dia 15 para visitar o parque fabril nacional e avaliar as garantias sanitárias do País. O dirigente destacou que o governo está traduzindo a última parte do relatório a ser entregue aos Estados Unidos para que o Brasil volte a exportar carne bovina in natura para aquele país.

“A expectativa é que o Ministério da Agricultura e o setor privado consigam entregar este material técnico aos norte-americanos até o final de novembro e, então, ficaremos disponíveis para uma visita e a consequente reabertura do mercado”, ponderou.

Os exportadores de carne suína também devem ter acesso a novos mercados em breve, apesar do ano difícil para o segmento. No dia 20 deste mês, o País receberá uma missão para a abertura de mercado ao produto brasileiro no México. “Este é um grande passo, porque o Brasil vem há anos tentando um início efetivo de negociações com o México, que é um dos maiores importadores de carne suína do mundo”, afirmou o vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

A missão chinesa, que avaliará a habilitação de novas plantas para carne bovina, também deve averiguar novas unidades de abate de suínos – além das oito já habilitadas – assim como farão os canadenses. Uma missão da Coreia do Sul também deve visitar o País em outubro. /*A repórter viajou a convite da Trouw Nutrition.