SÃO PAULO  -  (Atualizada às 20h24 para corrigir informação sobre lucro bruto da empresa, no segundo parágrafo) A Braskem, maior fabricante de resinas das Américas, teve lucro líquido atribuível aos acionistas da companhia de R$ 547 milhões no segundo trimestre, queda de 49,8% na comparação anual, apesar da melhora do desempenho operacional e na esteira da piora do resultado financeiro líquido. O lucro líquido consolidado, por sua vez, ficou em R$ 493 milhões, baixa de 57%.

No trimestre, a receita líquida da Braskem totalizou R$ 13,79 bilhões, 16% acima do verificado um ano antes, enquanto o lucro bruto ficou em R$ 3,28 bilhões, com alta também de 16%.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 3,16 bilhões, com avanço de 4%, enquanto o Ebitda ajustado subiu 5%, a R$ 3,18 bilhões. A geração de caixa livre da companhia saltou a R$ 3,321 bilhões no trimestre, mais de três vezes acima do verificado um ano antes.

Na linha financeira, a Braskem teve despesa financeira líquida de R$ 2,14 bilhões, frente a R$ 677 milhões também em despesa líquida um ano antes, refletindo o impacto da desvalorização cambial sobre a parcela da dívida em moeda estrangeira.

No fim de junho, a dívida líquida da companhia estava em R$ 7,389 bilhões considerando-se a Braskem Idesa, com queda de 3% em três meses. Sem considerar a operação mexicana, o endividamento líquido estava em R$ 5,4 bilhões, queda de 4%.

Com isso, a alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, ficou em 1,9 vez, comparável a 1,98 vez em março.

Demanda doméstica de resinas

Segundo a Braskem, a demanda de resinas no mercado brasileiro, considerando-se polietileno, polipropileno e PVC, alcançou 1,3 milhão de toneladas no segundo trimestre, estável em relação ao verificado um ano antes. Frente ao primeiro trimestre, porém, houve queda de 4%, na esteira das restrições geradas pela greve dos caminhoneiros.

No acumulado do primeiro semestre, a demanda de resinas cresceu 4% diante do maior nível de atividade, especialmente em embalagens, no setor automobilístico e de consumo.

As vendas de resinas da petroquímica no mercado brasileiro totalizaram 821 mil toneladas, com queda de 2% na comparação anual e de 7% ante o primeiro trimestre.

Exportações

Em relação às exportações, a Braskem embarcou 320 mil toneladas de resinas, queda de 13% frente ao verificado no segundo trimestre de 2017 e em linha com o primeiro trimestre, "influenciada pela menor disponibilidade de produto", conforme a companhia.

Já as vendas de químicos no mercado doméstico somaram 690,1 mil toneladas no intervalo, estáveis na comparação anual, enquanto as exportações caíram 53%, a 90,12 mil toneladas.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) das operações no Brasil alcançou R$ 1,78 bilhão, com impacto negativo da ordem de US$ 54 milhões (R$ 200 milhões) decorrente da paralisação de maio.

Taxa de ocupação

A taxa média de utilização das centrais petroquímicas da Braskem no país ficou em 90% no segundo trimestre, com queda de três pontos percentuais na comparação anual, influenciada principalmente por restrições logísticas decorrentes da greve dos caminhoneiros em maio.

Frente aos três primeiros meses do ano, porém, a taxa média de utilização ficou estável, diante da maior disponibilidade de matéria-prima no polo do Rio de Janeiro e da melhor operação na central de Camaçari (BA), que no início do ano foi afetada pela interrupção no fornecimento de energia elétrica.

Nos Estados Unidos e na Europa, a taxa de utilização foi de 84% no trimestre, com queda de 11 pontos percentuais na comparação anual, diante da parada programada na unidade de Oyster Creek, no Texas, e de problemas operacionais na unidade de Marcus Hook, na Pensilvânia.

No México, a taxa de utilização das linhas de polietileno ficou em 72%, 11 pontos percentuais abaixo do verificado um ano antes, por causa do menor fornecimento de etano pela Pemex e de parada programada que inclui a central petroquímica.