O planejamento para a fabricação das quatro  Corvetas da Marinha causou certa frustração na Marinha do Brasil  ilustradas pelo desinteresse na disputa por sua fabricação do estaleiro espanhol Navantia e das indústrias navais da China,  da Coreia do Sul e, principalmente da Rússia. A determinação da Marinha brasileira  em exigir que os estaleiros estrangeiros apresentem propostas para a construção do navio de 2.790 toneladas concebido pelo Centro de Projetos de Navios da Marinha, sofre uma indisfarçável rejeição dos fornecedores. O projeto foi feito com a participação da italiana Ficantieri que apresentou proposta dentro de um consórcio para construir os navios, o que bate de frente com a legislação atual e pode desclassificar mais um consórcio participante. E mesmo que vença, certamente, o caso vai parar na justiça, atrasando ainda a mais o início da construção dos navios. Essa frustração já pode ser identificada em alguns  oficiais que cuidam do assunto na Diretoria-Geral do Material e na Diretoria de Gestão dos Programas Estratégicos da Marinha.

A expectativa do  Programa Tamandaré  era que pudesse obter as embarcações por um valor unitário entre 270 e 320/350 milhões de dólares, mas isso também talvez não seja possível com a verba destina de  viabilizado nem 1,6 bilhões de dólares. O custo total pode se chegar a 2 bilhões de dólares, o que poderá ser um obstáculo, causando consequências para projetos urgentes da corporação, como a revitalização de três fragatas Classe Niterói, que está em fase de desenvolvimento há mais de um ano. A Marinha também tem a necessidade de seis a oito caça-minas modernos. Três deles para ficarão sediados  em sua nova base naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, mas, em um primeiro momento, conseguirá comprar apenas dois  já usados, da classe Koster sueca, oferecidos pelo Grupo SAAB por um valor em torno dos 200 milhões de dólares. Cada caça-minas de última geração – seja ele sueco, inglês ou italiano – com todos os recursos necessários ao cumprimento de sua missão, não custa menos de  200 milhões de dólares. A aquisição desses navios estava prevista para o segundo semestre deste ano, mas isso ainda dependerá de uma liberação de recursos, hoje incerta.

A fabricação dos submarinos Classe Scorpène no complexo naval industrial de Itaguaí também avança dentro das limitações de um  fluxo de caixa irregular. Os dois primeiros navios – Riachuelo e Humaitá – poderão ser entregues ao setor operativo da Esquadra até o fim de 2022, ou seja, com um atraso considerado pequeno, de até um ano. Mas o Tonelero, que tem seu lançamento ao mar previsto para setembro de 2021, e o Angostura, que deve ver a água em dezembro de 2022, só devem estar pronto entre 2024 e 2025,  época em que a Força estará recebendo seus primeiros escoltas Classe Tamandaré.

Por enquanto, os três nomes que surgem com mais força são os do secretário-geral da Marinha, almirante Liseo Zampronio, um paulista que foi Comandante-em-Chefe da Esquadra; o do diretor geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior, um submarinista; e o do Comandante de Operações Navais, Paulo Cezar de Quadros Küster.

No início do mês passado, a Marinha brasileira ativou  a Agência Fluvial de Caracaraí, no estado de Roraima,  a 266 km, da fronteira com a Venezuela.  , a Marinha  se prepara, agora, para distribuir mais uns 40 ou 50 militares pelas três agências que irá criar na sensível fronteira do Acre com o Peru,  nos municípios de Feijó, Sena Madureira, e Rio Branco. Extraoficialmente sabe-se, que entre os objetivos da disseminação da presença da Marinha está a vigilância sobre os diferentes tipos de ilícitos que se valem dos cursos dos rios e igarapés em meio à mata fechada: o narcotráfico, o transporte de insumos para a fabricação de entorpecentes, o contrabando de armas portáteis  e o tráfico de pessoas ligadas aos diferentes grupos guerrilheiros que atuam na Amazônia peruana.