O impasse da tabela de preços mínimos de fretes tem reflexos na região sul do Estado. Conforme o diretor-técnico da Superintendência do Porto de Rio Grande, Darci Tartari, a circulação diária de caminhões caiu, em média, cerca de 50% no complexo. No auge da safra de grãos como a soja, de 2 mil a 2,5 mil veículos levam e buscam mercadorias no local, acrescenta o diretor.

– O porto está muito associado ao agronegócio. Hoje, a recepção de cargas está sendo bastante afetada – sublinha.

Apesar da redução no movimento de caminhões, Tartari afirma que os embarques ainda não são prejudicados. No momento, o nível dos estoques é considerado suficiente para garantir as operações.

Para tentar derrubar a tabela de preços de fretes, a Associação de Empresas Cerealistas do Estado (Acergs) ingressou com ação na Justiça Federal no Rio Grande do Sul. Presidente da entidade, Vicente Barbiero diz que o transporte de mercadorias como a soja está praticamente parado – é realizado no momento apenas com a frota própria das empresas do setor.

– É claro que isso não é suficiente para dar vazão necessária às cargas – pondera Barbiero.

Outra entidade que recorreu à Justiça Federal contra a tabela é a Federação das Indústrias do Estado (Fiergs). Nos últimos dias, a apreensão e as queixas de empresários em relação ao impasse aumentaram. O presidente da Fiergs, Gilberto Porcello Petry, estima que cerca de 80% dos segmentos que compõem a indústria gaúcha apresentam dificuldades de transporte de mercadorias. Segundo o dirigente, o impacto é maior sobre produtos com preços mais baixos.

– As empresas que não estão com problemas são as que haviam feito contratos anuais ou semestrais com transportadoras. Nesses acordos, não há influência da tabela – observa Petry.

A Fiergs projeta que, em alguns trajetos, a fixação de preços mínimos pode elevar os gastos de companhias em até 150%. Entre os segmentos mais afetados pela medida, está o de alimentos. O diretor da Conservas Oderich, Marcos Oderich, presidente do Sindicato das Indústrias da Alimentação do Estado, relata que o uso de frota própria não é suficiente para as empresas garantirem a normalidade das entregas.

Segundo o empresário, sua companhia, localizada em São Sebastião do Caí, planejava enviar 16 contêineres ao porto de Rio Grande nesta terça-feira (12). No entanto, conseguiu embarcar apenas quatro.

– Estamos aguardando o andamento de ações judiciais. A situação está cada vez mais difícil – declara Oderich.

Até o meio-dia desta terça, o tabelamento havia sido contestado em pelo menos 30 ações judiciais no país, segundo a Advocacia-Geral da União (AGU).

Fonte: Portal Zero Hora

Imagem: Blog Caminhoneiros