A manutenção do crescimento das exportações somada à retomada dos níveis de importação e investimentos em infraestrutura devem manter o crescimento do setor aquaviário em 2018. No ano passado, o fluxo no modal teve alta de 8,3%, atingindo 1,086 bilhão de toneladas.

Para o diretor geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Adalberto Tokarski, mantidas as condições atuais da economia, o setor crescerá 4%. Contudo, ele estima que o cenário positivo do comércio exterior garantirá incremento ainda maior.

De acordo com ele, este ano devemos ver novas outorgas de áreas portuárias que vão atender locais com demanda reprimida, como é o caso do escoamento de grãos que podem ter a segunda melhor safra neste ano. Além disso, ele destaca a safra de milho, que também chega a sua segunda safra de forte exportação. “Somado a isso devemos ver um reequilíbrio da balança comercial. Desde o meio do ano passado já vemos uma recuperação das importações. Este ano o superávit deve ser menor. Tudo isso eleva a movimentação”, complementa.

Apesar de concordar com a projeção de alta do setor, a advogada e especialista em direito para o setor logístico e transporte de carga, Anna Paola Bonagura, acrescenta que o crescimento deve ser moderado e não representa necessariamente “um aumento na rentabilidade, até por conta da variação cambial”, explica.

“Em tonelagem é ótimo. Vemos um aumento das exportações, mas não necessariamente do dinheiro. Além disso devemos lembrar que o ano de 2016 não foi muito bom”, ressalta a executiva. Por outro lado, ela destaca que cerca de 51 Terminais de Uso Privado (TUP) devem ser concedidos, a economia brasileira tem perspectivas de melhora e o cenário de países, como a Argentina, importante para as transações comerciais, também está melhorando.

Para ela, só é necessário ter uma projeção um pouco moderada, por ser ano de eleições presidenciais que tendem deixar os investidores mais cautelosos. Entre os principais gargalos mencionados por ela, além do desenvolvimento em infraestrutura, ela acrescenta que uma questão que preocupa é a Resolução Normativa 18 de 2017, da Antaq, publicada em dezembro passado.

“Não sabemos onde a Antaq quer chegar, porque é muito abrangente e pode se tornar um problema. Na minha opinião o problema é o excesso. Além disso não sabemos o efeito será mais didático ou o número de autuações aumentará muito”, pontua.

Críticas

Durante o evento de divulgação, alguns pontos da pesquisa foram criticados pelos executivos presentes, como é o caso do indicador de tempo de espera, que pode variar com o tipo de carga e não deve ser comparado apenas por terminal portuário. Também foi citada a movimentação de transbordo, que pode não abranger todos os serviços. Segundo a Tokarski, a metodologia está sendo aprimorada captar cada vez mais dados.

A crítica do sócio da consultoria Solve, Leandro Barreto, sobre o assunto vai um pouco mais longe. "Penso eu que essa crítica aos dados da Antaq nunca atingiu a dimensão que merece porque os armadores e terminais não vão querer falar o que realmente pensam a esse respeito tendo em vista que são empresas que podem ser autuadas por essa agência.”

O especialista acredita que o mercado carece de dados confiáveis e ainda aponta que as informações não são muito utilizados pelo mercado, por conta das distorções existentes. Entre elas, os dados de cabotagem, que mostram um “descasamento” entre as informações de embarque e desembarque. Parte deste problema, o executivo responsabiliza a compilação de dados. De acordo com ele, falta uma padronização dos conceitos:

“Não faz sentido a agência admitir o problema com os dados de transbordo e, ao mesmo tempo, não reconhecer a dimensão da divergência que isso causa nas análises, principalmente num momento em que o transbordo no Brasil cresce de maneira exponencial em razão do crescimento do tamanho dos navios de Longo Curso”, conclui Barreto.

Fonte: DCI

Imagem: Exame