SÃO PAULO  -  A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) reforçou a possibilidade de vender suas ações da Usiminas, partes da área de mineração e o terminal portuário Sepetiba Tecon para reduzir a alavancagem. O presidente da empresa, Benjamin Steinbruch, acrescentou a operação em Portugal, Lusosider, a essa lista de ativos na prateleira.

Em um horizonte de 12 meses, a meta formal da siderúrgica é alcançar alavancagem financeira, medida pelo índice de dívida líquida/Ebitda, entre 3 vezes e 3,5 vezes. O executivo, porém, disse que ao longo do tempo há a possibilidade de reduzir essa proporção para menos de 3 vezes, algo que o mercado vem pedindo.

"Quando emitimos os bônus no exterior, os investidores disseram que devido à instabilidade do mercado internacional hoje, exigiam níveis mais perto de 2,5 vezes", contou Steinbruch. "Pelo que eu entendia, um nível de 3,5 vezes era mais que suficiente."

O presidente da CSN disse que se desfazer da participação na Usiminas -- que compreende papéis ordinários e preferenciais, chegando a até R$ 1,2 bilhão atualmente -- ocorrerá quando for mais adequado. Assim como a retomada do mercado siderúrgico ajuda a impulsionar as ações da própria CSN, a empresa acredita que há potencial de alta para a concorrente também.

Outro negócio, o terminal portuário Sepetiba Tecon, em Itaguaí (RJ), é negociado há muito tempo, mas não houve um acordo. As conversas, no entanto, estão amadurecendo recentemente, disse Steinbruch. Na mineração, é considerada a alienação de uma parcela da Congonhas Minérios e algumas minas menores, como Fernandinho e Pedras Pretas.

A ideia da CSN é levantar cerca de R$ 2 bilhões com venda de ativos até junho -- incluído aí o potencial de R$ 1,8 bilhão da desmobilização da LLC, nos Estados Unidos -- e mais R$ 2 bilhões até dezembro. Sobre a atuação nos EUA, que se concentrará na distribuição, no ano passado o Ebitda dessa atividade por lá foi de US$ 10 milhões a US$ 13 milhões.

O diretor financeiro do grupo, Marcelo Ribeiro, contou ainda na teleconferência que segue em conversas com a Caixa Econômica Federal para rolar a dívida que tem com a instituição, assim como foi feito com o Banco do Brasil. Como a situação da empresa melhorou significativamente nos últimos meses, a CSN quer termos melhores do que os anunciados em fevereiro. Segundo Steinbruch, os termos finais serem definidos entre o fim de maio e o começo de junho.