As principais entidade do setor siderúrgico chinês, controlados pelo estado, propuseram que medidas sejam tomadas contra produtos agrícolas e eletrônicos dos EUA, além de aço.

Um dos temores é de que a China possa retaliar os americano com barreiras à soja. EUA e Brasil concorrem pelo mercado chinês de soja e qualquer modificação nas regras do comércio internacional podem ter uma repercussão profunda para o setor.

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Apesar de insistir na via pacífica, a Europa também alertou que não está disposta a fazer concessões aos americanos, nem no setor comercial e nem na aliança militar. "Não vamos fazer concessões no comércio, mesmo que isso tenha sido apontado como um problema", disse o vice-presidente de Comissão Europeia, Jyrki Katainen. "Isso não é uma negociação comercial. É uma ação unilateral", afirmou.

A relação entre a barreira e a contribuição da Europa na OTAN também foi rejeitada por Bruxelas. "São duas coisas separadas", insistiu o vice-presidente. "Isso é um problema comercial, que precisa ser resolvido. Depois, se a questão da OTAN quiser ser tratada, é um outro assunto", disse.

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A Europa vende em média 5,5 milhões de toneladas de aço aos EUA e uma barreira poderia custar mais de US$ 2,5 bilhões por ano.  Jean-Yves Le Drian, ministro de Relações Exteriores da França, insistiu que a Europa precisa agir de forma "firme". "A Europa precisa mostrar seu poder e soberania", disse. Para ele, é a influência americana que será afetada por contas das barreiras.

Katainen confirmou que, se as negociações fracassarem, a UE já está em conversas com outros governos para levar um caso conjunto à OMC contra os EUA. "Queremos a lei do mais forte ou as leis internacionais?", alertou.

Durante o dia a quinta-feira, 9, o governo brasileiro também proliferou conversas com outros parceiros comerciais para entender quais podem ser os próximos passos.

Enquanto governos ensaiam resposta, a OMC voltou a pedir que países "reflitam", "conversem" e evitem a adoção de barreiras comerciais.  Recuperando uma declaração do diretor-geral da OMC, Roberto Azevedo, a entidade insistiu na necessidade de manter o diálogo entre os governos com o objetivo de se evitar uma guerra comercial.

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"Está claro que vemos um risco muito maior e claro de iniciar uma escala de barreiras comerciais pelo mundo", disse Azevedo. "Não podemos ignorar esse risco e pedimos a todos que considerem e reflitam sobre essa situação de forma cuidadosa", completou.

Daniel Pruzin, assessor de imprensa da OMC, confirmou que o tom é o de um apelo ao diálogo. "Ainda há tempo para conversar", disse. "A medida só entra em vigor em 15 dias", apontou. Segundo ele, o diálogo pode ocorrer nos comitês da OMC e, mesmo depois que uma queixa formal seja lançada, as conversas podem continuar.

Azevedo estará em Brasília para uma reunião com o presidente Michel Temer. Mas vem insistindo no impacto que a medida americana e as respostas dos parceiros comerciais poderiam ter. "Uma vez que entremos nesse caminho, será muito difícil reverter a direção", disse Azevedo. "Olho por olho deixará todos nós cegos e o mundo em uma profunda recessão", afirmou o brasileiro.  "Temos de fazer todos os esforços para evitar ver o primeiro dominó cair. Ainda há tempo", disse o diplomata.