Vanessa das Graças Moraes, de 33 anos, é a única mulher que atua na profissão de Prática na baía de Paranaguá. Ela integra um time formado por apenas 15 mulheres, em um universo de 700 Práticos em todo o Brasil.

Prático é o profissional – autônomo que presta serviço obrigatório, regulamentado pela Marinha do Brasil – e que orienta o comandante da embarcação para rotas seguras de navegação, nas manobras de entrada ou saída de portos, bem como a atracação e desatracação dos navios. Nunca houve restrições para o ingresso de mulheres, mas, talvez, por causa das especificidades da profissão, o interesse do público feminino, até então, tenha sido menor.

Filha de lavradores e nascida em Altônia, no Paraná, Vanessa conta que entrou na profissão motivada pelo desejo de trabalhar no mar. Aos 18 anos ingressou na escola de oficiais da Marinha Mercante, formou-se e navegou durante quatro anos a bordo de um navio tanque, com 278 metros e carregado de óleo. Em 2012, Vanessa passou no concurso para se tornar Prática no Rio Grande do Norte. Dois anos mais tarde, na tentativa de ficar mais próximo da família, fez o concurso para praticagem em Paranaguá e, novamente, passou.

Desde 2015 comandando manobras no segundo maior porto do Brasil, Vanessa diz que o principal desafio da profissão é eliminar o preconceito existente. “Muitas pessoas acreditam que uma mulher não pode exercer este tipo de atividade ou não tem capacidade para a função”, afirma Vanessa.

Ela conta que, a cada vez que sobe em um navio, é possível perceber a preocupação do comando em relação ao seu desempenho profissional. “Sinto que, antes de executar o trabalho, há aquela dúvida sobre a eficiência e a segurança da manobra que vou executar”.

Para as mulheres que têm o sonho de se tornar uma Prática, Vanessa lembra que não existe legalmente nenhum impedimento para o ingresso do público feminino na profissão. “É uma profissão peculiar porque é muito dinâmica. Em cada manobra existem diferentes variáveis, entre elas, as condições climáticas, fatores operacionais do próprio navio, o cenário da navegação, entre outros. No entanto, as mulheres podem desempenhá-la com louvor”, enumera Vanessa.